Um olhar sobre ele, o Rio de Janeiro


Quem acompanha minhas publicações no facebook, sabe que eu procuro trazer à tona temas de debate na cidade, questões importantes para o cidadão, e é claro, notícias boas. Apaixonado pelo Rio de Janeiro, às vezes sou levado a falar da beleza dessa cidade maravilhosa, do seu povo vibrante, das suas paisagens monumentais e de seu potencial enquanto Estado. Porém, nem os cartões postais mais exuberantes que encontramos por aqui são capazes de amenizar a sensação de impunidade que paira no ar. Nem a inauguração da nova estação do Metrô, na Tijuca, fará com que o cidadão fique menos indignado com o poder público, até porque o valor da passagem aumentou, assim como a do trem. É uma semana triste para o Rio de Janeiro. Depois da morte do tenente Leidson Acássio Alves Silva, subcomandante da Unidade de Polícia Pacificadora da Vila Cruzeiro, enquanto fazia uma patrulha na favela, mais uma notícia ruim abala o dia a dia dos cariocas. No último domingo (16), Cláudia Silva Ferreira, foi baleada e morta pela Polícia Militar. Na incompreensível tentativa de socorro, levaram a vítima para o Hospital Carlos Chagas, no porta-malas da viatura. Cláudia caiu do carro e teve seu corpo arrastado por mais de 300 metros, triste fato que foi filmado por um cinegrafista amador e divulgado pelos meios de comunicação. Confesso que não tive a coragem de assistir. A implementação das Unidades de Polícia Pacificadora aumentaram a autoestima da população. Proporcionou a possibilidade de uma vida mais pacífica e digna aos moradores de diversas comunidades. No entanto, desde a criação do sistema, em 2008, foram 11 policiais mortos em áreas ocupadas pela polícia militar. Recentemente, as forças do Estado ocuparam a Vila Kennedy, para a instalação de uma nova unidade da UPP, a 38ª. O programa de pacificação é bem-vindo, obrigado. No entanto, faz-se necessário um treinamento qualificado aos policiais e intensa fiscalização nas comunidades para que não haja a reinserção do tráfico. Além disso, o trabalho social deve acontecer de maneira integrada, contemplando a questão urbana, econômica e educacional da região. O Brasil possui um número de homicídios que pode ser equiparado a países que estão em guerra, são 50 mil por ano. Portanto, o lado social é de suma importância para o desenvolvimento e qualidade de vida da população. A violência é um problema crônico na cidade e a população não tem confiança na polícia militar. Sabemos que a tarefa é árdua, mas somos maioria. Neste sentido, acredito que o sistema de segurança pública deveria sofrer uma reestruturação completa. Desde sua infraestrutura e planejamento até o treinamento e formação de profissionais da segurança, que estejam ao lado do cidadão e capacitados para exercer, qualificadamente, seu trabalho. O carioca agradece.

Por: Sávio Neves

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