Ir e Vir


O artigo 5º da Constituição Federal de 1988 estabelece o direito de “ir e vir” de todos os cidadãos brasileiros. Em tempos de crescimento desordenado das cidades e aumento no número de veículos, o deslocamento de um ponto ao outro vem se transformando em uma árdua tarefa. Nossas cidades cresceram de forma acelerada, espontânea e de modo não planejado. Com isso, passaram a conviver com uma série de problemas, dentre eles, a carência de infraestrutura e a degradação ambiental. A forma de ocupação do solo urbano, associada a políticas pouco integradas, acabou por influenciar negativamente o sistema de mobilidade nas cidades, assim como o sistema de mobilidade mal planejado contribuiu para a existência de cidades sem uma razoável qualidade de vida urbana.

Hoje, o congestionamento já faz parte do nosso dia a dia, sendo o principal tema de debate quando nos referimos à mobilidade. Além disso, a questão do desmatamento e da degradação da natureza também é um assunto em pauta. No entanto, o esforço para mudar esse quadro não deve ser somente político, mas coletivo. Com a implementação do sistema de ônibus “BRT” e dos veículos leves sobre trilhos – VLT, o Rio de Janeiro avançou nesta questão. Como parte da operação urbana “Porto Maravilha” veio a recuperação e a transformação do Centro da cidade e da região portuária, uma das mais importantes do município.

As mudanças, que visam melhorar o fluxo na região até 2016, aconteceram num momento político complexo e delicado, por conta das manifestações políticas que tomaram conta da cidade. O ponto mais relevante da discussão foi a interdição do mergulhão da Praça XV, um importante ponto de ligação entre o Centro e a Zona Sul do Rio de Janeiro e a transformação em mão dupla da Avenida Rio Branco, uma das principais vias da cidade. Por causa das mudanças no trânsito, o itinerário de 228 linhas de ônibus municipais e intermunicipais foi alterado.

Pensar de forma coletiva exige sacrifícios para um bem maior. Quanto maior o número de pessoas utilizando o transporte público, menor será o número de carros nas ruas e, consequentemente, menor será o trânsito. Paralelo a isso, é importante que as pessoas se mobilizem para utilizar seu veículo, não só no deslocamento até o trabalho, mas nas viagens de lazer, com o maior número de passageiros possível. Se um carro tem lugar, em média, para 5 pessoas, por que utilizá-lo com apenas uma? É claro que há exceções, mas é neste sentido que aparece a ideia de coletividade. Para finalizar, quem me conhece sabe o quanto sou entusiasta do transporte sobre trilhos. Alguém já viu um engarrafamento de trens? A malha ferroviária brasileira é muito pequena e devemos trabalhar e cobrar para que seja ampliada e, efetivamente, reativada.

Por: Sávio Neves

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