Rio: Patrimônio Cultural


Prestes a completar seus 450 anos de idade, além da oportunidade de celebrar uma data importante para um rico e amplo passado vivido, a cidade do Rio de Janeiro, contemplada por suas inúmeras transformações estruturais e estéticas, merece reflexão. Trata-se de um momento não só oportuno, mas necessário, à reflexão do que já foi feito e o que ainda precisa ser feito daqui para a frente.

Neste sendido, nosso patrimônio cultural, enquanto uma pauta de destaque, assume um papel cada vez mais presente na condução e influência das questões mais significativas para os cariocas.

O patrimônio cultural do carioca é bastante extenso, conta, inclusive, com coisas intangíveis, como o pôr do sol, por exemplo. Consideramos, ainda, nossos artistas, músicos, arquitetos, escritores, construções e até aqueles botecos famosos que todo bairro tem. Além disso, constitui-se como um dos patrimônios mais marcantes do nosso povo: a língua, a cultura, nossos monumentos históricos e nossos valores. “Patrimônio cultural é todo testemunho do fazer humano, que tenha caráter memorial e de pertencimento para uma sociedade”. Não poderia deixar de destacar o Cristo Redentor, que internacionalizou-se como uma das sete maravilhas do mundo.

Hoje, somente na cidade do Rio de Janeiro, existem mais de 1.200 bens tombados, que estão sob a tutela do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural – CMPC, que é o órgão responsável pela política de proteção do patrimônio cultural. Também estão sob esta responsabilidade, os imóveis construídos antes de 1938.

Um ano antes, em 1937, surgia uma política de preservação do Patrimônio Nacional, através da criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atualmente conhecido como IPHAN. Vale ressaltar, que nesta época, o Rio de Janeiro era a capital do país, o que potencializava ainda mais o olhar para a cidade na busca de registros a serem preservados. Houve, inclusive, um estímulo decretado pela Constituição, que estabelece ao poder público (União, Estados e Municípios), com o apoio da comunidade, a proteção, preservação e gestão do patrimônio histórico e artístico do país.

Hoje, 77 anos depois da criação do IPHAN, não é nenhuma surpresa constatar que, dentre os acervos tombados como Patrimônio Nacional, o Rio de Janeiro contempla grande parte deste importante registro do país. A prefeitura, inclusive, lançou recentemente um guia dos bens tombados no Estado. A publicação, mostra o histórico e localização de três mil bens da cidade nas três esferas – municipal, estadual e federal.

São tantas modificações, que a cidade aborda uma oportunidade de adaptar-se aos novos tempos, com investimentos para isso. Desta forma, o Rio tem a obrigatoriedade de se tornar uma cidade mais acessível, com uma mobilidade urbana adequada ao grande centro que é. Observa-se, inclusive, a questão dos espaços públicos, que devem constituir ao cidadão o direito ao exercício da plena cidadania, usufruindo, com qualidade e segurança, as belezas naturais que constituem a “cidade maravilhosa”.

O cidadão deve participar efetivamente destas transformações, colaborando e cobrando para o pleno “funcionamento” da cidade. Conceitos como sustentabilidade, carona solidária e transportes sobre trilhos, por exemplo, devem ser aplicados em nosso dia a dia. Acredito que todos depositam suas esperanças em uma cidade renovada, com direito a apresentação de uma infraestrutura de qualidade ao completar seus 450 anos, além de esbanjar toda a sua herança histórica e cultural. Nossas atitudes, tanto no presente, como no futuro, irão constituir nosso principal patromônio, não só cultural, mas pessoal.

Por: Sávio Neves

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