Mauá, Honrado Brasileiro

07.05.2014

 

Em 2013, o Brasil comemorou o bi-centenário do nascimento de Irineu Evangelista de Souza, nosso Visconde de Mauá.

A Associação Comercial do Rio de Janeiro, instituída há pouco mais de 200 anos, contemporânea de Mauá, através de iniciativa do seu Presidente Antenor Barros Leal, criou um Ciclo de Eventos para realizar esta homenagem à altura do seu Patrono.

 

Foram quatro Simpósios onde se procurou mostrar as múltiplas atividades do empresário, comerciante, banqueiro, mascate, político, …, enfim, deste multi-facetado brasileiro.

 

Mauá atravessou quase todo século XIX, vivendo as transformações do País e do mundo num século que marcou a história da Humanidade. Era uma época de oportunidades de negócios que Mauá soube aproveitar com todo seu talento e preparo.

 

No campo humanitário, Mauá foi uma das primeiras pessoas a combater a escravidão. E o fez de forma efetiva, se negando a utilizar mão-de-obra escrava em suas empresas.

 

Pessoalmente, tenho profundo apreço pela obra de Mauá, especialmente porque foi ele um empresário que valorizou as ferrovias. Foi um pioneiro, visionário. Enxergava, antes de todos, que o transporte ferroviário, de passageiros e de cargas, facilitava o deslocamento das pessoas, diminuía o custo do seu produto nos mercados consumidores, externo e interno.

 

A primeira ferrovia e sua primeira, Estação Guia de Pacobaíba, ficava localizada no fundo da Baía de Guanabara, em Magé, Estado do Rio de Janeiro. Naquela época, há 160 anos, as pessoas saiam da Praça XV, atravessavam a Baía de barco, chegavam a Magé e tomavam o trem com destino a Petrópolis e outros destinos, com toda segurança e conforto. Já, naquela época, era um moderno sistema de intermodalidade de transportes.

Hoje, esta ferrovia desativada é símbolo da opção equivocada das administrações centrais sucessivas do Brasil, pelo rodoviarismo, em detrimento das ferrovias, como se estas duas modalidades não pudessem se complementar, compartilhar o transporte num país continental.

 

Perdemos este legado físico do Mauá. O Brasil paga caro por este grande erro. Porém, Mauá nos deixou heranças incutidas na nossa alma, na nossa cultura empresarial. Ele nos deixou a referência, o orgulho de ser brasileiro. Mostrou ao mundo nosso País, nossos produtos, nossa competência.

Num País que trata o empresário como vilão, como espoliador, como aproveitador, precisamos, através deste resgate da sua memória, apresentá-lo às novas gerações de brasileiros, para que não percamos de vista todo seu exemplo como cidadão e empresário, gerador de empregos, de divisas, de impostos que devem ser revertidos pra população com serviços públicos eficientes.

 

Por: Sávio Neves

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