A escravidão no século XXI


A escravidão é uma marca triste na história do Brasil. Nos dias de hoje, atos desta natureza são repudiados com veemência por toda a sociedade e, felizmente, são cada vez mais raros. Na realidade, no estrito sentido da palavra, não existe mais escravidão. De forma generalizada, fazemos uma alusão aos trabalhos excessivos e mal remunerados.

No dia 13 de maio de 1888 era sancionada a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no país. Assinada pela princesa Isabel e pelo ministro da Agricultura da época, conselheiro Rodrigo Augusto da Silva, foi uma conquista não só dos negros, mas de toda a nação. Embora muitos considerassem normal e aceitável a escravidão naquela época, havia aqueles que eram contra este tipo de prática, porém, eram a minoria e não tinham influência política para mudar a situação. Contudo, a escravidão permaneceu por muitos anos. A economia do Brasil contava quase que exclusivamente com o trabalho escravo para realizar os trabalhos nas fazendas e nas minas. Na segunda metade do século XIX surgiu o movimento abolicionista, que defendia a abolição da escravidão no Brasil. Joaquim Nabuco foi um dos principais abolicionistas deste período.

No início da colonização do país (século XVI), não havia no Brasil trabalhadores para a realização de trabalhos manuais pesados. Os portugueses colonizadores tentaram usar o trabalho indígena nas lavouras. A escravidão indígena não pôde ser levada adiante, pois os religiosos católicos se posicionaram em defesa dos índios condenando sua escravidão.

Logo, os colonizadores buscaram uma outra alternativa: eles buscaram negros na África para submetê-los à força ao trabalho escravo em sua colônia. Foi neste contexto que começou a entrada dos escravos africanos no Brasil. Após desembarcarem aqui, eram comprados como mercadorias por fazendeiros e senhores de engenho.

A região Sul do Brasil passou a empregar trabalhadores assalariados brasileiros e imigrantes estrangeiros, a partir de 1870. Na região Norte, as usinas produtoras de açúcar substituíram os primitivos engenhos, fato que possibilitou o uso de um número menor de escravos. Já nos principais centros urbanos, era grande a necessidade do surgimento de indústrias.

Visando não causar prejuízo financeiros aos proprietários rurais, o governo brasileiro, pressionado pelo Reino Unido, foi alcançando seus objetivos lentamente. A primeira etapa do processo foi tomada em 1850, com a extinção do tráfico de escravos no Brasil. 21 anos mais tarde, em de 28 de setembro de 1871, foi promulgada a Lei do Ventre-Livre. Esta lei tornava livres os filhos de escravos que nascessem a partir da decretação da lei.

No ano de 1885, foi promulgada a lei Saraiva-Cotegipe (também conhecida como Lei dos Sexagenários) que beneficiava os negros com mais de 65 anos de idade. Foi somente em 13 de maio de 1888, através da Lei Áurea, que a liberdade total e definitiva finalmente foi alcançada pelos negros brasileiros.

O ato de escravização é uma violação a dignidade humana. Trata-se de um fato que ignora a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Escravizar, é uma agressão a humanidade.

“Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, deveríamos antes acreditar nos filósofos que dizem que apenas as pessoas educadas são livres.” (Epíteto)

Por: Sávio Neves

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