A Transposição e o Conflito


Caro amigo leitor, a questão água e as dificuldades que o mundo vem encontrando para suprir suas necessidades se apresentam todos os dias bem a nossa frente.

A água para consumo humano (potável), ao contrário do que muitos pensam, é um bem finito que, devido a todas as atrocidades que o ser humano vem fazendo ao longo do tempo, a mesma tende a acabar. Só para o leitor ter uma ideia, cerda de 70% do nosso planeta é coberto por água, e de toda a água que existe no mundo aproximadamente 97% é salgada, sendo menor que 1% a quantidade de água doce conhecida e disponível. A quantidade de água do planeta sempre será a mesma, porém devido a quantidade de poluentes lançados nos corpos hídricos, a água, aos poucos foi perdendo suas características e tornado-se poluída e fétida, e por que não dizer, rios foram transformados em brejos.

Vivemos em um país que tem a maior reserva de água doce do mundo, temos uma abundância incrível de água no amazonas, obviamente que não temos essa abundância no nordeste, porém, com um pouco de boa vontade política, esse problema já deveria ter sido resolvido ha muito tempo.

Tomemos como exemplo Israel, que bebe água do mar, e consegue ser uma potência na agricultura, pois o segredo não esta na abundância de água, mas sim no uso consciente da mesma. Só para o leitor ter uma ideia, hoje, mesmo com essa abundância de água, estamos pondo em risco nossa segurança hídrica, que é a capacidade de se oferecer água com qualidade e em quantidade. Ha poucos dias, um dos diretores da ANA – Agência Nacional de Águas, em uma entrevista disse que o Brasil tem hoje, em média, água reservada para 43 dias. Isso é um absurdo, haja vista a quantidade de água disponível que temos, quando levamos em consideração o restante do planeta.

A crise esta às portas, observemos que as matérias jornalísticas sempre reportavam a região nordeste e a falta de água, e ninguém fez absolutamente nada para mitigar o problema, porém, agora o problema atinge a maior cidade do país, a grande e pomposa São Paulo. Amigos, essa cidade, que é um dos motores do país, produziu tanto que seus gestores esqueceram que eles não são responsáveis pela produção de água na cabeceira dos reservatórios, e o problema está ai, é real. Se levarmos em consideração um plano de gestão integrada dos recursos hídricos – PGIRH, o leitor não terá duvidas que isso não entrou no planejamento de governo nenhum, e só está sendo ventilado agora, porque o volume do reservatório de Cantareira atingiu o seu menor volume de todos os tempos. E qual a solução proposta pelo governo Alckmin senão buscar água em um manancial que nada tem a ver com SP, que no caso é o Rio Paraíba do Sul. Pois é a maneira mais fácil de extrair água e enviar para São Paulo, e dessa forma não fica caracterizada a crise da água que se instalou no governo.

O Rio Guandu, que abastece a água de toda a região metropolitana do Rio de Janeiro, é abastecido por uma transposição do rio Paraíba do sul, que é responsável por cerca de 80% do volume de água total, daí se vê os riscos envolvidos em ceder água para outra localidade. Não sou contra a transposição do Paraíba do sul para abastecer São Paulo, haja vista ser uma determinação da política nacional de recursos hídricos – PNRH, que a água, em caso de escassez, seja para abastecimento humano em primeiro caso, seguido de dessedentação de animais. Logo, a transposição é uma possibilidade, porém, acho que a conversa deve imediatamente sair do meio político e entrar no âmbito técnico, haja vista a necessidade de um Estudo de impacto ambiental (EIA/RIMA) muito bem feito, assim como se faz imperativa uma maior participação da ANA nessas questões.

Por: Sávio Neves

© Sávio Neves. Todos os direitos reservados.