Estudo mostra que Cristo Redentor movimenta R$ 1,4 bilhão na economia e gera 21 mil empregos

Impacto do monumento chega ao setor imobiliário: apartamentos com vista para o monumento podem valer até 10% a mais do que outros imóveis no mesmo prédio



Ludmilla de Lima e Luiz Ernesto Magalhães

12/10/2021 - 04:30


RIO - Há 90 anos, o Cristo Redentor é um símbolo da fé. Mas além da questão religiosa, o santuário também é uma fonte geradora de negócios que gera empregos e desenvolve outras atividades em seu entorno. Um estudo recém concluído pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) concluiu que o monumento é responsável por movimentar R$ 1,4 bilhão na economia e por gerar e manter pelo menos 21.393 empregos diretos e indiretos em 68 setores da economia. São negócios que os turistas movimentam como na rede hoteleira, restaurantes, serviços de transporte, entre outros. O levantamento conclui ainda que os turistas os turistas que vistam a estátua permanecem até 1,2 dia a mais na Cidade Maravilhosa do que aqueles que descartam uma passadinha no Corcovado.


Na análise, a FGV levou em conta uma série de fatores, com base na análise tomando como base estatísticas oficiais que cercam o monumento. Um deles é que em nenhum outro lugar do mundo os visitantes têm acesso a um monumento idêntico ao Redentor, transformando a vista em uma experiência única para 99,3% dos frequentadores . No alto do Corcovado, a estátua está posicionada em um ponto estratégico porque pode ser vista em quase toda a cidade. Trata-se ainda do único santuário católico do mundo localizado a céu aberto e o espaço também pode receber eventos variados e de exposição de marcas . Em janeiro, por exemplo, a prefeitura escolheu o local para iniciar sua campanha de vacinação contra a Covid-19. O lado místico não foi esquecido, já que a marca é valorizada porque o Cristo é símbolo de esperança para os brasileiros.


Outro exemplo prático da forma com que o Cristo Redentor movimenta a economia no seu entorno é o Trem do Corcovado, que completou 137 anos neste sábado, dia 9. O presidente da empresa, Sávio Neves, conta que ao disputar em 2014 a primeira concessão para explorar o serviço (antes, a empresa pagava uma espécie de aluguel à União), se comprometeu a investir R$ 300 milhões na modernização da operação — dos quais R$ 250 milhões já foram investidos na compra de três novos trens, em parcelas amortizadas pelos próximos 14 anos, que entraram em operação e 2019. Essa renovação da frota também foi citada no estudo da FGV.



Sávio Neves aos pés do Cristo Redentor
Sávio Neves aos pés do Cristo Redentor


Sávio calcula que da receita anual do trenzinho 81% da arrecadação fique com o poder público, mediante o pagamento de outorgas (um valor fixo e outro variável conforme a demanda de passageiros) e tributos. Antes da pandemia do Covid-19, o serviço recebia 800 mil passageiros por dia. No ano passado, o serviço ficou suspenso por seis meses. Hoje, a demanda mensal chega a metade do registrado no passado.


A empresa também se comprometeu em remover da faixa marginal de proteção dos trilhos (três metros de cada lado) espécimes exóticas de vegetação que nada têm a ver com a Mata Atlântica, como jaqueiras e bananeiras. Ao todo, foram retiradas 140 árvores. Para o futuro, Sávio Neves pensa em lançar una linha de produtos relacionados ao trenzinho do Corcovado, mas esse plano está atrelada a conclusão de uma reforma na estação de embarque que ganharia um novo acesso por uma rua lateral da Praça São Judas Tadeu, cuja intervenção está embargada pela Justiça desde 2019.


Segundo o presidente da empresa, a reformulação do espaço permitiria a abertura de uma loja de souvenires onde seriam vendidos produtos temáticos do trenzinho, como canecas e brinquedos por exemplo. A prática é comum em áreas turísticas como nos parques da Disney, na Flórida e na Califórnia (EUA) No Rio, por exemplo, há lojinhas do gênero na Roda Gigante Rio Star (Porto do Rio), no AquaRio e no Pão de Açúcar.


— Obtivemos licença do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) mas alguns moradores questionaram que a intervenção exigiria outras avaliações, como de impacto viário, o que não concordamos — diz Sávio.


Conheça as estatísticas e números do Cristo - Informações de 2019, quando o turismo ainda não havia enfrentado o impacto da pandemia


17% dos visitantes estrangeiros consideram o Cristo o principal símbolo do Brasil


99,3% dos visitantes classificam a visita ao monumento como uma experiência única


A estátua recebeu em 2019 um total de 1.940.327 visitantes


33,1% eram estrangeiros que tem o maior gasto diário em vêm média na cidade: R$ 605,19


44,6% eram brasileiros que gastam diariamente uma média de R$ 402,73


Os estrangeiros que vieram ao Rio e não visitaram o Cristo permaneceram em média 7,7 dias na cidade


Estrangeiros que vieram ao Rio e visitaram o Cristo permaneceram em média 8,8 dias na cidade


Brasileiros que vieram ao Rio e não visitaram o Cristo permaneceram em média 6,6 dias na cidade


Brasileiros que vieram ao Rio e visitaram o Cristo permaneceram em média 7,8 dias na cidade

Fonte: O Globo